A Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou nesta semana um ambicioso plano de mobilidade urbana voltado para os bairros da Zona Norte, região que historicamente recebeu menos investimentos em transporte público em comparação com a Zona Sul e o Centro. O projeto, orçado em R$ 4,2 bilhões, prevê a criação de novos corredores de BRT, a expansão da linha de metrô até a Pavuna e a implantação de ciclovias em 23 quilômetros de vias arteriais.

O anúncio foi feito em cerimônia no Complexo do Alemão, onde o prefeito destacou que a Zona Norte concentra 40% da população carioca, mas recebe apenas 22% dos investimentos em infraestrutura de transporte. "Isso precisa mudar", afirmou, cercado de secretários e vereadores da região.

O Que Está Previsto

O plano inclui três novos corredores de BRT ligando a Penha, Madureira e Bangu ao Centro da cidade, com previsão de reduzir em até 35% o tempo de deslocamento para os trabalhadores que dependem desses trajetos. A expansão do metrô até a Pavuna, que estava paralisada desde 2019 por falta de recursos, será retomada com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As ciclovias serão implantadas em avenidas como a Brasil, Suburbana e Meriti, conectando-se à rede existente na Barra da Tijuca e no Centro. O projeto também prevê a criação de 15 novos terminais de integração multimodal, onde passageiros poderão trocar de ônibus, metrô ou BRT sem pagar nova tarifa.

Reações

Moradores e associações de bairro receberam o anúncio com cautela. "Já ouvimos promessas antes", disse o presidente de uma associação de moradores de Madureira. "Vamos acompanhar de perto a execução." A oposição na Câmara Municipal questionou as fontes de financiamento e pediu que o plano seja submetido a audiências públicas antes de ser aprovado.